Reganho de peso após parar Mounjaro, Wegovy ou Ozempic: por que acontece e como reduzir o risco?

Sim, pode haver reganho de peso depois de parar Mounjaro, Wegovy ou Ozempic. No estudo STEP 1, participantes que interromperam a semaglutida recuperaram, em média, cerca de dois terços do peso perdido ao longo de um ano. No SURMOUNT-4, o grupo que interrompeu a tirzepatida recuperou, em média, 14% do peso entre as semanas 36 e 88.

Esses resultados descrevem grupos de estudo, não o que necessariamente acontecerá com cada pessoa. O reganho também pode ocorrer depois de emagrecer sem medicação. Por isso, a manutenção precisa ser planejada como parte do cuidado, e não tratada como uma prova de força de vontade.

Mounjaro contém tirzepatida. Wegovy e Ozempic contêm semaglutida, mas são apresentações comerciais distintas, com indicações e esquemas de uso próprios. Muitas pessoas chamam esses medicamentos de canetas emagrecedoras.

Os estudos citados avaliaram esquemas utilizados para o tratamento da obesidade: semaglutida 2,4 mg no STEP 1 e tirzepatida 10 ou 15 mg no SURMOUNT-4. Embora Ozempic também contenha semaglutida, os resultados do STEP 1 não devem ser automaticamente atribuídos a todo esquema de uso desse medicamento.

O que acontece se eu parar de tomar Ozempic, Wegovy ou Mounjaro?

Os estudos STEP 1 e SURMOUNT-4 observaram aumento de peso após a retirada de semaglutida e tirzepatida. Os resultados ajudam a entender que o reganho é possível, mas não devem ser usados para comparar diretamente os medicamentos: os estudos tiveram desenhos, períodos e grupos diferentes.

Na extensão do STEP 1, participantes com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, usaram semaglutida 2,4 mg por 68 semanas, junto a uma intervenção de estilo de vida. Nesse período, perderam, em média, 17,3% do peso inicial. Após a retirada do medicamento e da intervenção de estilo de vida do estudo, recuperaram, em média, 11,6 pontos percentuais ao longo de um ano. Isso correspondeu a cerca de dois terços do peso perdido. Ao final, ainda apresentavam uma perda média de 5,6% em relação ao peso inicial.

No SURMOUNT-4, pessoas com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, usaram tirzepatida durante 36 semanas. Depois, parte passou a receber placebo e parte continuou o medicamento. Nas 52 semanas seguintes, quem passou ao placebo teve aumento médio de 14% do peso em relação ao peso medido na semana 36. Quem continuou a tirzepatida perdeu, em média, mais 5,5% nesse período.

Essas médias não significam que toda pessoa que interromper o tratamento recuperará o mesmo percentual. A trajetória individual depende de vários fatores e não pode ser prevista apenas por esses resultados.

Por que o peso pode voltar depois de parar Ozempic, Wegovy ou Mounjaro?

Ozempic e Wegovy contêm semaglutida; Mounjaro contém tirzepatida. Esses medicamentos atuam em sistemas relacionados ao apetite e à saciedade. Durante o tratamento, algumas pessoas sentem menos fome, ficam satisfeitas com menor quantidade de comida ou percebem mudanças na vontade de comer.

Quando o medicamento é suspenso, seus efeitos deixam de atuar da mesma forma. A fome e o apetite podem mudar, enquanto as adaptações do organismo à perda de peso e os fatores da rotina continuam influenciando o processo.

Sono, estresse, ambiente alimentar, atividade física, saúde metabólica, acesso a alimentos e condições de saúde também têm participação. Por isso, o reganho não pode ser explicado apenas por “falta de disciplina”.

Efeito sanfona acontece somente com Mounjaro, Wegovy ou Ozempic?

Não. O reganho pode acontecer depois de diferentes formas de emagrecimento, inclusive após intervenções sem medicamentos. Isso não significa que seja inevitável. Significa que manter o peso perdido pode exigir continuidade de cuidado.

Um exemplo conhecido é o estudo de participantes do programa The Biggest Loser. Quatorze pessoas foram avaliadas seis anos depois de uma competição que envolveu perda de peso intensa, com restrição alimentar e exercício. Em média, haviam recuperado cerca de 41 kg dos 58 kg perdidos durante a competição. Houve variação entre os participantes, e a amostra era pequena. Portanto, o estudo ilustra o que pode ocorrer depois de uma perda intensa, mas não permite estimar a frequência do reganho na população em geral.

O Look AHEAD acompanhou pessoas com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2 que participaram de uma intervenção intensiva de alimentação e atividade física. Em uma análise dos padrões de peso entre o primeiro e o quarto ano, entre 1.428 participantes do grupo intensivo que se enquadraram em um de seis padrões de variação de peso:

  • 32% mantiveram perdas de peso moderadas ou grandes;
  • 35% tiveram perda inicial seguida de retorno ao peso inicial (dentro de 3%) até o quarto ano;
  • 22% tiveram perda grande no primeiro ano e recuperaram parte do peso, mas ainda estavam abaixo do peso inicial;
  • 11% tiveram mudanças mínimas de peso.

Esses percentuais dependem de como o estudo classificou perda, manutenção e recuperação de peso. Eles se referem aos participantes daquele grupo e não são uma previsão para quem interrompe uma medicação.

O mesmo estudo ajuda a evitar uma conclusão simplista: no grupo que recebeu intervenção intensiva, a perda média ainda era de quase 5% após oito anos. Houve reganho em parte do percurso, mas o grupo manteve, em média, uma redução do peso inicial ao longo do acompanhamento.

Como reduzir o risco de reganho depois de parar?

Não existe uma estratégia que garanta que o peso não voltará. Mas é possível organizar a transição e manter um acompanhamento que ajude a perceber mudanças e ajustar o cuidado.

Converse com o médico prescritor antes de interromper

A decisão de parar, reduzir ou trocar a medicação deve ser feita com o profissional que prescreveu e acompanha o tratamento. Efeitos adversos, custo, acesso, planejamento de gestação e outras condições de saúde precisam ser avaliados individualmente.

Não reduza a dose, não aumente o intervalo entre aplicações e não reinicie o medicamento por conta própria.

Planeje a alimentação para além do período de maior saciedade

Durante o uso das canetas emagrecedoras, algumas pessoas passam a comer muito pouco ou têm dificuldade para atingir suas necessidades nutricionais. Vale observar se a alimentação continua oferecendo refeições adequadas e fontes de proteína, como ovos, laticínios, carnes, peixes ou leguminosas, conforme as preferências e necessidades de cada pessoa.

A organização também importa: ter refeições possíveis para a rotina, incluir alimentos com fibras e evitar depender de restrições difíceis de sustentar. A estratégia deve ser ajustada à pessoa, não copiada de uma recomendação genérica.

Mantenha atividade física e treino de força de forma compatível com sua rotina

Caminhadas, outras atividades aeróbicas e exercícios de força podem fazer parte do plano de cuidado. O treino de força merece atenção durante o emagrecimento porque ajuda a preservar a função e a massa muscular, embora não seja uma garantia contra o reganho de peso.

A frequência, o tipo de treino e a progressão devem considerar a condição clínica, a experiência e a rotina da pessoa.

Acompanhe tendências e sinais de mudança

Uma variação isolada na balança não define que o reganho começou. O acompanhamento pode observar tendências ao longo do tempo e considerar peso, medidas, alimentação, fome, rotina, atividade física e saúde metabólica. A avaliação da composição corporal pode ser útil quando indicada, mas não precisa ser feita da mesma forma ou na mesma frequência para todas as pessoas.

Se houver aumento sustentado do peso, mudanças de apetite ou dificuldade para manter a rotina, isso é motivo para reavaliar o cuidado, sem culpa e sem esperar que todo o peso volte.

Como acompanho a transição após o uso de GLP-1

No meu acompanhamento nutricional, não olho apenas para o número da balança. Também observo como estão a fome, a saciedade, a ingestão de proteínas, a organização das refeições, a rotina de treino e, quando indicado, as medidas e a composição corporal.

Nos planos de acompanhamento, os retornos são mensais e há suporte semanal pelo WhatsApp. A consulta avulsa inclui um retorno em até 30 dias. Essa continuidade permite conversar sobre as mudanças que surgem ao longo do processo e ajustar a conduta nutricional de acordo com a evolução da pessoa.

O Look AHEAD reforça a importância de não pensar o emagrecimento como uma intervenção que termina quando a primeira meta é alcançada. Naquele estudo, houve participantes que recuperaram peso e outros que mantiveram parte da perda durante anos de acompanhamento. Isso não prova que o acompanhamento nutricional impeça o reganho, mas mostra por que a fase de manutenção também precisa ser considerada.

O acompanhamento nutricional impede o reganho?

Não é possível garantir que o acompanhamento nutricional impeça o reganho. Ele pode ajudar a estruturar a alimentação, acompanhar mudanças e ajustar o cuidado conforme as necessidades da pessoa.

O trabalho do nutricionista também pode integrar a alimentação aos objetivos de composição corporal e à rotina de atividade física. A decisão sobre manter, suspender ou modificar a medicação deve ser discutida com o médico prescritor.

Se o peso começar a subir, o que fazer?

Converse com os profissionais que acompanham você. O aumento pode ser avaliado junto com mudanças na fome, na rotina, na alimentação, no sono, na atividade física e nas condições clínicas.

Evite iniciar uma dieta muito restritiva ou voltar a usar a medicação sem orientação. O próximo passo depende do que está acontecendo e pode ser discutido com a equipe de saúde.

Perguntas frequentes

Vou recuperar todo o peso se parar Mounjaro, Wegovy ou Ozempic?

Não dá para afirmar isso para uma pessoa específica. Nos estudos com semaglutida e tirzepatida, os grupos recuperaram parte do peso, mas o resultado variou entre participantes. As médias dos estudos não determinam o que acontecerá individualmente.

Em quanto tempo o peso pode voltar depois de parar?

Os estudos observaram aumento de peso ao longo dos meses seguintes à retirada. A extensão do STEP 1 acompanhou os participantes por um ano após o tratamento; o período de comparação após a fase inicial do SURMOUNT-4 foi de 52 semanas. O ritmo e a quantidade de peso recuperado variam.

O efeito sanfona pode acontecer mesmo com alimentação e exercício?

O reganho pode acontecer mesmo quando a pessoa está tentando manter hábitos saudáveis. Alimentação e atividade física são partes importantes do cuidado, mas não controlam sozinhas todos os fatores biológicos, clínicos e ambientais envolvidos.

Posso espaçar as aplicações para manter o resultado?

Converse com o médico prescritor antes de alterar a dose ou o intervalo. Os estudos apresentados não permitem recomendar que a pessoa faça esse ajuste por conta própria.

O que fazer se já recuperei parte do peso?

Procure a equipe que acompanha você. Recuperar parte do peso não apaga os benefícios obtidos nem significa que o processo fracassou. É um sinal para rever o plano e decidir os próximos passos com orientação.

Cuidado contínuo para além do medicamento

Mounjaro, Wegovy e Ozempic podem fazer parte do tratamento de algumas pessoas, mas o uso e a interrupção devem ser acompanhados pelo médico prescritor. A Organização Mundial da Saúde reconhece a obesidade como uma doença crônica e recomenda que as terapias baseadas em GLP-1 façam parte de um cuidado abrangente, com alimentação saudável, atividade física e suporte profissional. A OMS também destaca que ainda há limitações nos dados sobre manutenção e interrupção do tratamento.

O acompanhamento nutricional pode contribuir para organizar a alimentação, acompanhar a evolução da composição corporal e ajustar as estratégias ao longo do tempo. Não é uma promessa de que o peso não voltará. É um cuidado para que você tenha apoio nas mudanças que podem acontecer durante e depois do tratamento.

Se você usa Mounjaro, Wegovy, Ozempic ou outra terapia baseada em incretinas e quer organizar sua alimentação e seu acompanhamento, conheça o acompanhamento nutricional com GLP-1 e agende sua consulta.

Para entender a relação entre perda de peso, alimentação e preservação de massa muscular, leia também: GLP-1 e massa muscular.

Referências científicas

  • Wilding JPH et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2022. STEP 1: extensão (PubMed)
  • Aronne LJ et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024. SURMOUNT-4 (PubMed)
  • Fothergill E et al. Persistent metabolic adaptation 6 years after “The Biggest Loser” competition. Obesity. 2016. The Biggest Loser: 6 anos depois (PubMed)
  • Wing RR et al. Association of Weight Loss Maintenance and Weight Regain on 4-Year Changes in CVD Risk Factors: the Action for Health in Diabetes (Look AHEAD) Clinical Trial. Diabetes Care. 2016. Look AHEAD: 4 anos (PubMed)
  • Look AHEAD Research Group. Eight-Year Weight Losses with an Intensive Lifestyle Intervention: The Look AHEAD Study. Obesity. 2014. Look AHEAD: 8 anos (PubMed)
  • World Health Organization. WHO issues global guideline on the use of GLP-1 medicines in treating obesity. 2025. Diretriz da OMS sobre GLP-1 (2025)

Sobre o autor

Richardson Marcolino
Nutricionista clínico e esportivo · CRN-1 19004
Atendimento presencial em Goiânia e online
Atualizado em 12 de outubro de 2026

Explore mais artigos